Até mais fuiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!!!!
O vigia
Contarei a história de um personagem
sem nome, apenas um vigia de uma empresa qualquer. Não é triste nem feliz,
tirem suas próprias conclusões.
Era mais um dia igual aos outros ou só
parecia ser igual. Assim que acordou pela tarde, viu que o sol ainda brilhava,
mas seu coração e sua mente ainda estavam perturbados pela noite passada. Ainda se
sentia cansado e preferiu dormir de novo, pois estaria por vir mais uma noite
difícil.
Assim que seu relógio despertou às
quatro horas da tarde, levantou-se, olhou-se no espelho e viu que já não era o
mesmo de três anos atrás. Estava cansado daquela vida, sua saúde psicológica e
física estava abalada. Tomou banho, arrumou-se e saiu. Quando chegou ao
trabalho, ainda estava claro. Resolveu comer algo na cantina da empresa.
Preferia comer cedo, pois ainda havia pessoas vivas por ali.
Ao cair do sol, começou a suar frio,
pois estava na hora de ir para seu posto. Os outros funcionários ao passar pela
guarita se despediam dele. Por dentro, ele clamava que todos ficassem para lhe fazer
companhia ou o ajudar. Ninguém acreditava nas histórias horríveis que ele dizia
que aconteciam ali, naquele mesmo local, durante a noite.
Enfim, a noite chegou. Estranho, de
repente começou a chover e logo parou. Nessa noite a lua não apareceu. Estava
muito escuro, e nosso vigia se preocupou. Teve uma terrível vontade de ir ao
banheiro – esse momento era o que ele mais temia, pois no posto onde estava não
havia banheiro. Ele teria que pegar uma viatura e ir até o banheiro que ficava
dentro da empresa. Mas havia outro problema, ele sabia que se entrasse na
empresa, poderia ver aquilo que o assustava há tanto tempo.
Diziam que a empresa fora construída em
cima de um antigo manicômio, e que, durante a noite, os espíritos dos loucos e
maníacos que ali morreram voltavam à procura de almas para se alimentar.
O vigia não aguentava mais, estava
muito apertado, pegou as chaves da viatura, tentou ligá-la, mas para sua
infelicidade ela não funcionou. Decidiu então ir andando.
Cruzou a porta principal e entrou no
elevador. O banheiro ficava no terceiro andar. Quando estava quase entrando,
ouviu um grito enlouquecedor que saiu de dentro do banheiro. Eram grunhidos.
Sentiu um calafrio e seu coração começou a acelerar, ele já tinha ouvido esses
gritos antes, era isso que o aterrorizava tanto. Deu dois passos para trás e
esbarrou em algo. Ao virar-se, viu ali parado olhando para ele, materializado,
a imagem de um espírito com um olhar aterrador. Sua face era deformada, vermes
saiam de sua boca e entravam em seus olhos. O vigia ficou com as pernas trêmulas,
tentou fugir, mas já era tarde demais. O espírito o agarrou e sugou, não se
sabe se toda ou somente a metade da sua alma. O espírito o deixou ali,
inconsciente.
O dia amanheceu, o vigia despertou, mas
nunca mais voltou à realidade, nunca mais conseguiu falar.
Sua família entrou com um processo na
justiça. Ganharam a causa e ele foi indenizado com 15 mil reais. Dizem que os
parentes o internaram em um manicômio, e ficaram com o dinheiro que ele ganhou.
Nosso personagem sem nome está, até
hoje, preso sozinho em
uma cela. Dizem que
durante a noite, dá para ouvir seus grunhidos, ele parece ver vultos e o
espírito que apareceu aquela noite ainda perturba sua mente e seus sonhos. Ele
faz suas necessidades fisiológicas em sua própria roupa, pois nunca mais
conseguiu ir ao banheiro.
Moisés Victor Mares de Brito.